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Quando a escola ultrapassa os muros: como a educação continua além da sala de aula

Uma entrevista com a professora Priscila Castro


Por Caio Pinheiro


No último dia 15 de março, celebramos o Dia da Escola, uma data que convida à reflexão sobre o papel dessa instituição em um mundo cada vez mais dinâmico, conectado e desafiador.


Se por muito tempo a escola foi compreendida como o principal espaço de aprendizagem, hoje essa ideia já não se sustenta da mesma forma. A educação acontece em múltiplos ambientes, atravessa telas, relações e experiências, e exige da escola uma capacidade constante de adaptação.


Para aprofundar esse debate, convidamos a professora de linguagem Priscila Castro, que atua em sala de aula e também produz conteúdo nas redes sociais, onde compartilha temas de língua portuguesa e educação de forma leve e bem-humorada. Na conversa, ela traz sua visão sobre os caminhos, desafios e possibilidades de uma educação que precisa dialogar com a realidade dos alunos, dentro e fora da sala de aula. 

Entre metodologias ativas e a disputa pela atenção

A necessidade de transformação já é percebida dentro das escolas, especialmente diante das mudanças no comportamento dos alunos. Priscila observa que há um movimento crescente de adoção de metodologias mais dinâmicas, como resposta à dificuldade de engajamento nas aulas tradicionais.

“As aulas tradicionais não funcionam mais, porque não prendem a atenção deles. É muito difícil manter o foco por 40, 50 minutos.”

Ao mesmo tempo, existe um cenário contraditório: a restrição do uso de celulares em sala não elimina o fato de que os alunos estão profundamente inseridos no ambiente digital. “Não dá pra nadar contra a maré, porque as redes sociais estão aí”, disse a professora.

Diante disso, o desafio não é resistir, mas conectar o conteúdo à realidade do aluno para tornar o aprendizado mais significativo.

Quando o aprendizado faz sentido

Um dos principais pontos levantados por Priscila é a necessidade de tornar o ensino relevante para a vida do estudante. A desconexão entre conteúdo e aplicação prática ainda é um dos grandes obstáculos da educação.

“Quantas vezes a gente já se perguntou: ‘quando é que eu vou usar isso na minha vida?’ E essa é uma sensação muito ruim.”

Quando o aluno consegue reconhecer utilidade no que aprende, o processo muda completamente. O aprendizado deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma experiência com sentido. “Eles precisam viver de verdade”, completa Priscila.

O momento em que a escola chega em casa


Ultrapassar os muros da escola se torna evidente quando o aprendizado ganha continuidade fora dela. Segundo Priscila, esse movimento acontece quando os alunos levam para suas famílias aquilo que vivenciam na escola.

“A escola ultrapassa muros quando eles conseguem levar essas vivências para dentro de casa.”

Esse impacto vai além do conteúdo acadêmico e alcança a formação humana, especialmente em contextos onde nem sempre há espaço para diálogo no ambiente familiar.

“Muitos não têm uma família acolhedora, então é muito importante quando eles levam esses valores para casa.”

O professor que expande a sala de aula

A presença de educadores nas redes sociais surge como uma extensão natural desse processo de expansão. Priscila conta que, ao produzir conteúdo, encontrou uma forma de dialogar com os alunos em uma linguagem mais próxima da realidade deles.

“Sabendo que eles já estão nas redes, é uma forma de garantir que eles consumam também um conteúdo de estudo.”

E essa conexão impacta diretamente a dinâmica em sala de aula, “quando eles percebem que eu produzo conteúdo, já dá um levante”, ela afirma.

Mais do que engajamento, esse movimento cria identificação, um elemento essencial para fortalecer o vínculo entre professor e aluno. E com a ampliação dos espaços de aprendizagem, o papel do professor também se transforma, Priscila destaca que a mediação entre escola, alunos e responsáveis faz parte da rotina docente.

“Todos nós professores somos mediadores, não tem pra onde correr.”

O desafio que permanece

Apesar das mudanças metodológicas e das tentativas de inovação, um obstáculo continua presente no cotidiano escolar: a disciplina. Priscila aponta que, mesmo com estratégias mais dinâmicas, manter o engajamento e o comprometimento dos alunos ainda é uma dificuldade real.

“É muito difícil conseguir a disciplina dos alunos, mesmo modernizando as aulas.”

Esse cenário reforça a importância de uma atuação conjunta entre escola e família, capaz de sustentar o processo educativo de forma mais consistente.


Educar é impactar

Ao final da conversa, Priscila traz uma reflexão que sintetiza o papel do educador de forma direta:

“O professor é o primeiro influenciador analógico do aluno.”

A frase revela a dimensão do impacto docente, muitas vezes invisível no dia a dia. Mesmo quando não há retorno imediato, o aprendizado acontece e, em algum momento, se transforma em referência para o aluno.

“Mesmo que nem todos prestem atenção, sempre tem alguém que absorve. E depois, no futuro, volta pra te agradecer. Essa é a melhor sensação do mundo.”

Na Irium, acreditamos que a educação que ultrapassa os muros é aquela que constrói sentido, gera conexão e permanece na vida dos alunos. Porque, no fim, educar nunca foi apenas ensinar, sempre foi transformar.


Sobre a entrevistada


Priscila é mãe, esposa, filha e professora, papéis que exerce com dedicação e autenticidade. Amante da sala de aula e da boa e velha gramática, construiu sua trajetória pautada pela paixão por ensinar e pelo compromisso com a aprendizagem de seus alunos.


É formada há 16 anos em Letras, Português, Espanhol e suas respectivas literaturas, com experiência em escolas renomadas. Possui pós-graduação em Língua Portuguesa e está em fase de conclusão de uma segunda especialização em Metodologia do Ensino de Redação. Também é técnica em informática, o que amplia seu repertório e fortalece sua atuação no uso de tecnologias educacionais.


Professora e influenciadora pedagógica, utiliza as redes sociais como extensão da sala de aula, mantendo um contato próximo com seus alunos por meio de vídeos e conteúdos acessíveis e dinâmicos. Entusiasta das metodologias ativas, está sempre em constante atualização, buscando novas estratégias para tornar o ensino mais significativo.


Acredita, acima de tudo, no poder do estudo como ferramenta de transformação de vida, princípio que guia sua prática e inspira aqueles que acompanham seu trabalho.


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