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O poder da juventude na cocriação da educação

Dia Internacional da Educação 2026 (UNESCO) Por Caio Pinheiro O Dia Internacional da Educação (24/01), instituído pela UNESCO, traz neste ano um lema potente e necessário: O poder da juventude na cocriação da educação. Mais do que uma frase inspiradora, o tema aponta para um desafio real enfrentado por escolas em todo o mundo: como tornar a educação mais significativa, engajadora e conectada com os estudantes.

Em um contexto marcado por rápidas transformações sociais e tecnológicas, cresce o distanciamento entre os modelos tradicionais de ensino e as vivências dos estudantes. A desmotivação, a evasão escolar e a dificuldade de engajamento são sinais de que educar apenas para a juventude já não é suficiente, é preciso educar junto aos jovens.

Reconhecer crianças, adolescentes e jovens educadores como participantes ativos do processo educacional não é uma concessão, mas uma estratégia pedagógica consistente para fortalecer o aprendizado, o senso de pertencimento e a formação cidadã.


O que significa cocriação na educação?

Falar em cocriação não significa abrir mão da mediação pedagógica, da intencionalidade curricular ou da responsabilidade adulta. Tampouco se trata de transformar a escola em um espaço sem regras ou diretrizes. Cocriação exige estrutura, escuta qualificada e clareza de propósitos.

Na educação, cocriação é o processo pelo qual estudantes e educadores participam ativamente da construção de projetos de aprendizagem, das decisões sobre regras de convivência, da escolha de temas de estudo e até da avaliação dos percursos formativos. Essa abordagem dialoga diretamente com metodologias ativas, aprendizagem baseada em projetos, cultura participativa e avaliação formativa. Ao envolver os jovens nas decisões, a escola amplia o sentido do aprender e fortalece a corresponsabilidade pelo processo educativo.


Juventude como sujeito do processo educacional

A cocriação se sustenta quando a juventude deixa de ser vista apenas como receptora de conteúdos e passa a ser reconhecida como sujeito do processo educacional, e esse protagonismo se manifesta de diferentes formas.

  1. Quando estudantes participam das decisões que atravessam sua vida escolar, desenvolvem habilidades fundamentais para o século XXI, como: pensamento crítico; autonomia intelectual; escuta e argumentação e responsabilidade coletiva. Além disso, a participação ativa fortalece o vínculo com a escola. O estudante passa a compreender o espaço escolar como um lugar que também lhe pertence, no qual suas ideias têm valor e impacto real.

  2. A juventude também está presente no corpo docente. Jovens educadores trazem repertórios culturais contemporâneos, novas linguagens e maior abertura para práticas colaborativas. Quando encontram espaços institucionais de escuta e criação, contribuem para a renovação das práticas pedagógicas e para a construção de ambientes mais dialógicos e conectados com a realidade dos estudantes.


O papel da escola na criação de estruturas de participação

Para que a cocriação não se limite ao discurso, é fundamental que a escola construa estruturas reais de participação. Isso inclui:

  • assembleias escolares;

  • conselhos ou comissões de estudantes;

  • projetos interdisciplinares cocriados;

  • rodas de conversa e escuta ativa;

  • espaços contínuos de feedback.

Essas práticas exigem planejamento, intencionalidade e mediação pedagógica. Não se trata de improviso, mas de um projeto educativo comprometido com a formação integral dos estudantes e com a construção de uma cultura democrática no cotidiano escolar.



Um exemplo brasileiro de cocriação na prática: a experiência da Escola Politeia

No Brasil, algumas escolas já demonstram que a participação ativa dos estudantes é possível e gera impactos positivos. A Escola Politeia, instituição privada de São Paulo (SP), é um exemplo desse movimento.

Crianças participam do ateliê de ciências na Escola Politeia (Foto: Yván Dourado)
Crianças participam do ateliê de ciências na Escola Politeia (Foto: Yván Dourado)

Na Politeia, estudantes, educadores e demais membros da comunidade escolar participam regularmente de assembleias, nas quais discutem ideias e definem regras de convivência. Questões como o uso dos espaços comuns, a organização da rotina e o funcionamento da escola são construídas coletivamente.

A organização pedagógica também rompe com o modelo tradicional. Os alunos são agrupados em ciclos, chamados de tutorias, e participam de grupos de estudo formados a partir de seus próprios interesses. Esses grupos podem envolver estudantes de diferentes idades e temas diversos, integrando ciência, artes, linguagem, corpo e cultura.

O resultado desse modelo é um ambiente de aprendizagem marcado por maior engajamento, autonomia e senso de pertencimento, no qual aprender faz sentido porque nasce do interesse e da participação ativa dos alunos.


Educação se constrói junto

O lema da UNESCO reforça uma ideia essencial: o futuro da educação passa pela participação da juventude no presente. Ao criar espaços reais de escuta, diálogo e cocriação, a escola fortalece o vínculo com seus estudantes, amplia o sentido do aprendizado e forma sujeitos mais críticos, responsáveis e preparados para atuar no mundo.

Investir na participação juvenil não é apenas responder a uma tendência, mas assumir um compromisso com uma educação mais democrática, significativa e alinhada aos desafios contemporâneos. Afinal, educar é um processo coletivo, e só faz sentido quando construído com todos os seus atores.


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